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  • Jul
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À conversa com… Ana Bochicchio

“A saúde mental hoje é um problema mundial e não apenas um fenómeno português….”

 

Nasceu em Lisboa em 1970, mas cresceu no Brasil, entre as cidades de São Paulo e Curitiba. Em 1988, voltou a Portugal, licenciou-se em Psicologia Clínica e do Aconselhamento em 1999 e no ano seguinte, voltou ao Brasil para se especializar em Terapia Familiar Sistémica.

Atualmente é membro efetivo da Ordem dos Psicólogos, psicóloga na Fisiomedicall e do Município de Azambuja, onde tem integrado alguns projetos ligados à Educação e à Saúde Mental.

Qual a importância da comunicação na relação com o paciente?

A comunicação é uma ferramenta indispensável na interação com o paciente: sem esta, o trabalho do psicólogo seria quase impossível, no sentido de perceber o problema do outro.

A sua formação base potenciou este papel da comunicação no processo terapêutico?

Creio que sim. A atuação do psicólogo está intimamente ligada à comunicação e acredito que esta noção é clara ao longo do curso.
Desde cedo nos foi transmitido o que, na prática, depois confirmamos: que em qualquer tipo de relação que se estabelece, um dos aspetos fundamentais é a comunicação – através desta, trocamos informações, questionamos, partilhamos pensamentos e emoções.

Que mecanismos aplica para otimizar a comunicação com os pacientes?

O psicólogo socorre-se das competências básicas da comunicação para “trabalhar”, tais como a escuta ativa, a empatia e a reflexão, para tentar compreender o paciente e a situação em que se encontra, mas creio que a característica mais “desejável” num profissional de psicologia será a grande sensibilidade para ouvir e falar com as pessoas.

Sendo a terapia um processo bilateral, qual deve ser o papel do psicólogo/terapeuta no sentido de motivar uma comunicação fluida e eficaz por parte do paciente?

Tal como referi anteriormente, a prática da escuta ativa e a atenção ao que o paciente não diz (comunicação não verbal) são muito importantes. Mesmo quando não comunicamos verbalmente, estamos a fazê-lo.

Como sente estar a comunicação global da psicologia e da saúde mental em Portugal?

A saúde mental hoje é um problema mundial e não apenas um fenómeno português. Já o era antes da pandemia e a verdade é que esta veio agudizar muito mais esta urgência!

A verdade é que os governos reconhecem esta realidade, mas pouco fazem no sentido de reverter esta situação.

Dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) relatam que mais de 80% das pessoas com problemas de saúde mental não tem qualquer atendimento acessível e de qualidade! Em Portugal, segundo a Ordem dos Psicólogos, a depressão é um problema de saúde pública – o que, direta ou indiretamente, afeta a todos. Aliás, a OMS descreve-a como o problema de saúde mais frequente, sendo a principal causa de incapacidade no mundo.

Perante estes dados, compreendemos que é urgente que a saúde mental seja vista como prioridade.

Claro que muita coisa mudou – a própria Ordem dos Psicólogos tem tido um papel fundamental nesta questão – mas há ainda um longo caminho a percorrer a nível dos apoios efetivos, mas também de uma comunicação mais clara e eficaz sobre todas as complexas dimensões da saúde mental.


 

👉️ Fonte:

Palavra puxa palavra com Ana Bochicchio

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